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As conversas são como as cerejas e cá volto eu ao tema. Mas as questões de ética são um dos meus campos de interesse e o facto praticamente estabelecido que os bloggers não estão sujeitos a códigos de ética ou deontológicos é mais um daqueles temas que acredito que vão evoluir.Reportando-me mais uma vez à realidade norte-americana, onde já vimos que os blogs são verdadeiros media e muitos bloggers se equiparam a jornalistas, deparei-me com o famoso colunista e blogger do New York Times, David Pogue e a sua "Note about Ethics and Disclosure". Não é o facto de não ser jornalista que impede Pogue de declarar os seus interesses e de seguir princípios no que respeita à cobertura que faz de temas e produtos, incluindo não aceitar ofertas das marcas e empresas e chega ao ponto de não deter acções de companhias sobre as quais escreve.Eu diria que este código é mais restritivo que o de muitos jornais. Para não falar do de colunistas.
[/caption]O "acontecimento" mais interessante do congresso social-democrata foi a inesperada "guerra" que estalou entre jornalistas e bloggers. O novo presidente do PSD, num gesto de "modernidade" e em reacção ao anterior congresso onde os blogs não foram credenciados, resolveu promover uma reunião apenas com escritores da blogoesfera.As reacções de jornalistas, alguns com décadas de cobertura de congressos e circuitos da carne assada, não se fez esperar, como revelaram este tuite e este.Este assunto levanta, pelo menos, duas questões interessantes: Deverão os políticos olhar para os blogs e as redes sociais com media prioritários? E, poderão os bloggers equiparar-se a jornalistas?Sobre a primeira questão, penso definitivamente que sim. Embora seja absurdo, quando os meios tradicionais ainda representam uma força cujo melhor exemplo é o recurso que os blogs e o twitter fizeram da televisão durante o congresso, hostilizar esses mesmos media. O grande desafio da comunicação é, precisamente, saber trabalhar com as duas realidades.Sobre a segunda questão, parece que os bloggers em Portugal ainda não se assumem como jornalistas, pelo menos estes e estes. Essa não é, contudo, a opinião no mais maduro mercado americano, conforme já se deu nota aqui. Um recente estudo da PR Week revelou que 52% dos bloggers norte-americanos se consideram jornalistas.Esta é um questão altamente controversa e as reacções negativas reportam-se sobretudo à questão profissional, aos códigos de conduta e à responsabilidade. Requisitos que os jornalistas têm de respeitar e os bloggers, para já, não.Posto desta forma, é verdade. Mas trata-se apenas de uma questão de tempo e de forma. A audiências e a influência dos bloggers é crescente e, tal como os jornalistas, são capazes de difundir informação (e opinião?) rapidamente.A questão da qualidade e da credibilidade, tal como se coloca aos jornalistas, é, como em tudo, uma questão de selecção natural. Os bons bloggers rapidamente encontrarão a necessidade de serem sérios, rigorosos e autênticos para ganharem a confiança dos seus leitores.
A maioria dos bloggers já se consideram jornalistas. O inquérito "2010 PRWeek/PR Newswire Media Survey", que abrangeu 1568 profissionais dos media "tradicionais" e “não tradicionais” e 1670 profissionais de Relações Públicas nos Estados Unidos, revelou que 52% dos bloggers se equiparam a profissionais de comunicação social. Segundo o estudo, um importante crescimento desde o ano passado, em que apenas um em cada três partilhavam esta opinião.Se bem que, na realidade, ainda só 20 por cento dos bloggers reconheçam que a maior parte do seu rendimento deriva da sua actividade na blogoesfera. Apenas um crescimento de 4% em relação a 2009.Do total dos inquiridos, o uso de blogs e redes sociais para pesquisa tem aumentado; mas há uma grande diferença nessa utilização entre bloggers e jornalistas dos media tradicionais. Enquanto 91% dos bloggers e 68% dos jornalistas online usam blogs "sempre" ou "às vezes" para pesquisa, apenas 35 por cento dos repórteres de jornais e 38% dos jornalistas de revistas off-line admitem recorrer às novas plataformas.A mesma discrepância verifica-se no que toca ao uso de redes sociais para investigação.No geral, 33 por cento dos inquiridos dizem usá-las, enquanto os bloggers revelam um uso superior (48%) aos jornais e (31%) e revistas impressas (27%).Se considerarmos o Twitter, o contraste ainda é maior: 64% dos bloggers e 36% dos jornalistas online usam o twitter como ferramenta de trabalho. Esta percentagem baixa para 19% dos jornalistas de jornais e 17% das revistas.No que respeita ao uso de "tuites" (posts do Twitter) nos artigos, apenas 19 a 20% dos jornalistas dos media tradicionais o fazem.Nos Estados Unidos, já 55% dos bloggers e 42% dos jornalistas de meios online usam posts do Twitter. E, surpreendentemente, 48% das notícias de televisão!Creio que um estudo semelhante ainda não tenha sido feito em Portugal. Embora as percentagens possam variar (a indústria dos blogs e o jornalismo online estará num estádio ainda emergente em Portugal), estou em crer que as tendências registadas no estudo da PR Week não estarão longe de uma realidade próxima em Portugal e nos mercados europeus em geral.Nota: este post foi inicialmente publicado em Jornalistas de Sofá.A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.