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Trinta e um dias de Marcelo, o presidente-rei

por Alda Telles, em 08.04.16

marcelo no porto global imagens.jpg

(11 de Março, Bairro do Cerco,Porto)

 

Trinta e um dias de Marcelo, (ex-)comentador e actual presidente. Breve primeiro balanço, com base em respostas que dei à Meios & Publicidade.

 

1. O presidente-spin doctor

 

Não sendo prática exclusiva do Presidente escolher jornalistas em detrimento de consultores de comunicação (basta ver as escolhas para os gabinetes ministeriais), a opção de Marcelo por três jornalistas para a assessoria de comunicação rompe com a tradição em Belém.

O caso concreto de Marcelo Rebelo de Sousa, grande comunicador e conhecedor profundo dos media, é contudo particular. É de crer que a estratégia está toda na sua cabeça e os assessores terão como função essencial criar o melhor palco possível para o desenvolvimento dessa estratégia. Não será por acaso que Marcelo foi buscar jornalistas de televisão, o meio onde ele cresceu como figura pública e onde sabe que (ainda) estão as melhores oportunidades de comunicar com o país real.

 

2. O presidente-rei

 

Marcelo adoptou a postura de um presidente-rei, parafraseando Fernando Pessoa. Percebeu que mesmo um regime semi-presidencialista pode acomodar os tiques de um regime presidencialista e até o conselho de estado parece querer evoluir para um senado.

Esta ampliação da função presidencial tem acolhimento na necessidade dos portugueses, num clima de crispação parlamentar e partidária, terem um referencial de estabilidade (e de afecto, sim!) no seu presidente. O estilo de comunicação faz a função evoluir para uma espécie de regime monárquico com tiques de presidencialismo. O “cão presidencial” remete-nos imediatamente para os “cães presidenciais” de Obama.  A que se junta um estilo muito próprio, entre o paternal e o descontraído, que transmite segurança e proximidade.

Convém também lembrar que os primeiros actos diplomáticos do presidente-rei foram as visitas ao Vaticano (com referências à bula papal que reconheceu o estado português) e ao Rei de Espanha. Dois elementos que fazem parte integrante do nosso imaginário monárquico. Estes dois actos deram o mote ao mandato.

 

  1. O presidente-comentador

 

Marcelo está habituado a opinar, por isso  o vemos e continuaremos a ver a comentar sobre os mais variados assuntos da vida nacional – desde o orçamento de estado à posição do governo sobre os presos políticos de Angola. A intervenção pública está-lhe no sangue e dificilmente abdicará do comentário.

O comentador não morreu, será que se salva a pátria?

 

 Créditos da foto: Pedro Correia/Global Imagens

 

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publicado às 14:44

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