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O mercado dá as primeiras passas

por Alda Telles, em 04.03.14

MarijuanaDoctors.com já arrancou com a sua campanha de publicidade na televisão. O spot vai estar em canais nacionais nos Estados Unidos como a Fox, CNN e ESPN. O primeiro dos vinte estados onde o consumo de marijuana  para uso médico foi liberalizado que vai ver o anúncio é New Jersey.  
Portugal foi um país pioneiro na despenalização do consumo de drogas leves, mas é nos Estados Unidos que o mercado dá as primeiras passas. A erva é um negócio, estúpido.

 

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publicado às 20:52

Tributo a McLuhan

por Alda Telles, em 28.02.11
Convidado: Joaquim Martins LampreiaCelebra-se este ano, um pouco por todo o mundo, o centenário do nascimento de Marshall Mcluhan, parecendo-me oportuno prestar um justo tributo a este vulto da comunicação.Por já o ter expressado publicamente por diversas vezes, penso não ser novidade a minha profunda admiração por McLuhan. Nem tão pouco deve surpreender a minha costela “McLuhanista”, oriunda da formação de base recebida no inicio dos anos setenta, e que foi totalmente moldada pelas ideias do nosso “Mestre” de então.Mas este canadiano foi muito mais do que um Guru da comunicação. Sem dúvida que as ideias geniais que introduziu  revolucionaram por completo este domínio do conhecimento e tanto as Relações  Públicas como o Jornalismo, e sobretudo a Publicidade, sofreram alterações  profundas no seu conceito e metodologia. Para além de um dos maiores pensadores  do século XX, McLuhan foi também um filósofo e um historiador que soube como  ninguém rasgar horizontes novos na comunicação de massas.Com ele voltou-se a escrever a história da humanidade a partir da evolução dos Meios de Comunicação, desde a invenção da escrita, até aos nossos dias, passando por Gutenberg e Marconi. A ele se deve também o conceito de “Aldeia Global”, que, com o advento das Redes Sociais, não podia estar mais actualizado.O lançamento do seu livro mais emblemático “The Medium is The Massage”, já perfaz quase meio século (1964) e também ele é de uma actualidade espantosa, ilustrando bem sua visão quase profética da sociedade ocidental.Por curiosidade refira-se que o título do livro é esse mesmo, “massage” e não “message”, que era a ideia original do autor mas que, devido a uma gralha, apareceu com esta forma nas primeiras provas da tipografia.Tanto McLuhan como o editor acharam este erro tipográfico “muito interessante e oportuno” e resolveram manter o título assim mesmo. O que McLuhan queria dizer originalmente com “The Medium is The Message” é que o Meio através do qual se comunica já é em si mesmo parte da própria Mensagem que se quer comunicar, sendo indissociável desta. Esta nova visão alterou substancialmente a forma e o conceito criativo publicitário da altura, que compartimentava excessivamente o “Copy Strategy” e o “Media Strategy”.A “Galáxia Gutenberg” é a outra das suas obras primas, onde a história da humanidade é analisada unicamente através da óptica da comunicação, nomeadamente o período que vai da descoberta da escrita à invenção da tipografia e da palavra imprensa, com Gutenberg. A fase em que as sociedades trocaram o “ouvido pelo olho”, como ele dizia, e  permitiram a disseminação maciça do conhecimento.O mais extraordinário nas suas obras, todas elas de grande profundidade de pensamento, é a simplicidade e a clareza com que McLuhan consegue explicar as suas teorias e os seus pontos de vista. Inúmeras vezes vai buscar exemplos ilustrativos a obras de Shakespeare, James Joyce e outros, autores clássicos para conseguir transmitir a sua mensagem com espantosa clareza.No seu outro livro de referência, “Understanding Media”, analisa os Meios de Comunicação como extensões do ser humano, “tal como o martelo é o prolongamento do braço do operário, os Meios são o prolongamento dos nossos sentidos”.Neste livro transpôs uma passagem extraordinária que não resisto em copiar, pela clareza da descrição.Trata-se do momento exacto em que um ser selvagem e iletrado se apercebe pela primeira vez da importância da palavra escrita, em oposição à palavra oral, a única que conhecia até então. Este texto serve também para ilustrar a tese de McLuhan, sobre a evolução das  sociedades, em que se troca “o ouvido pelo olho”.“Sobre o seu encontro com o mundo  escrito, na África Ocidental, escreveu o Príncipe Modupe: Na casa do Padre Perry, o único  lugar totalmente ocupado era o das estantes de livros. Gradativamente cheguei a  compreender que as marcas sôbre as páginas eram palavras na armadilha. Qualquer  um podia decifrar os símbolos e soltar as palavras aprisionadas, falando-as. A  tinta de impressão enjaulava os pensamentos; êles não podiam fugir, assim como  um dumbu não pode fugir da armadilha. Quando me dei conta do que realmente isto  significava, assaltou-me a mesma sensação e o mesmo espanto que tive quando vi  pela primeira vez as luzes brilhantes de Conacri. Estremeci, com a intensidade de meu desejo de aprender a fazer eu mesmo aquela coisa extraordinária que é: ler!”Apesar de já ter falecido há três décadas (1911-1980), o seu pensamento continua espantosamente actual, tendo conseguido antecipar o efeito de homogeneização e desumanização dos Mass Media, em simultâneo com a aproximação dos povos, muito anos antes da Internet dar os primeiros passos.Parece-me pois de extrema justiça que lhe seja feita esta homenagem nos 100 anos do seu nascimento.Para os interessados, e já que em Portugal não se fez até à data qualquer referência ao assunto, o programa das comemorações do “100 years of Mcluhan! The global village is now”, pode ser consultado em: http://marshallmcluhan.com e no Twitter em @marshallmcluhan.J. Martins LampreiaConsultor/Lobista

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publicado às 12:17

Gostava de ter escrito isto

por Alda Telles, em 26.09.10
Para além da mensagem que é um murro no estômago, hoje mais pertinente que nunca, o genial slogan "Folha de São Paulo, o jornal que mais se compra e nunca se vende". Gostava de ter escrito isto. Muitos jornais também gostariam de o poder escrever, estou certa.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=6t0SK9qPK8M&feature=player_embedded]

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publicado às 16:22

A velhice é a coisa mais surpreendente que pode acontecer a uma pessoa (Trotsky)
Cultivadora compulsiva de quinquilharia, memorabilia, revistas e jornais já desaparecidos, postais e anúncios pintados por artistas, sempre me achei pertencente a um "nicho", tão pequeno que raramente encontro quem se extasie comigo perante uma edição antiga do Século Ilustrado ou o folheto da "Mary Poppins" do cinema Europa.Duvido que isto faça de mim uma saudosista, porque esta mania vem desde os meus sete ou oito anos, quando esgravatava nas colecções antigas do meu pai. Creio antes que vem do fascínio e curiosidade pela representação da realidade em diferentes tempos, talvez a nostalgia de alguma candura, mas também, e ao fim ao cabo, a busca de cheiros e cores que o nosso tempo não nos dá.Eis que, de forma muito evidente, o culto das peças e da estética vintage (os brasileiros preferem a palavra Retrô) se está a tornar mainstream. Jornais e televisões recuperam anúncios antigos e fazem deles matérias autónomas, blogues, perfis de twitter e Facebook, como o imperdível Reclames do Estadão, uma iniciativa do "Estado de São Paulo" (que bem poderia ser recuperada pelo "Diário de Notícias").Bom, isto parece apenas  a exploração de um filão, um pequeno alargamento do nicho.Mas esta "reciclagem" do passado foi mais longe com a campanha "Como seriam os anúncios do Facebook, Twitter e Skype nos anos 60?", uma brilhante criação acabada de lançar pela agência brasileira Moma de São Paulo para o MaxiMídia, o maior evento de Comunicação e Marketing da América Latina. Nesta campanha, podemos ver-nos como veríamos os anúncios antigos do Estadão, deslumbrados mas felizes e cândidos perante o progresso que nos avassala.E porque é que esta campanha está a gerar um êxito brutal nas redes sociais e nos blogs de tecnologia e comunicação?  Porque é surpreendente, porque nos dá a dimensão vintage do nosso presente, porque nos acalma em relação ao que por vezes sentimos como a voragem dos tempos.Depois, foi também o primeiro Vintage Computing Festival em Inglaterra, onde as velhas máquinas são admiradas e onde alguém  recupera o Spectrum e põe-lhe o Twiiter lá dentro. O tempo encapsulado dentro do tempo.E os casos vão-se multiplicando. Estaremos a recuperar apenas a estética vintage-retrô, é só uma moda, ou estamos a tomar consciência de que a turbulenta evolução tecnológica nos está a levar, a cada dia que passa, a ter saudades do futuro?

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publicado às 22:45

Veni, Vidi, Armani

por Alda Telles, em 15.06.10
Cristiano Ronaldo chegou hoje ao Twitter, viu e venceu, e já ultrapassou os 30 mil seguidores. Nada de especial, se atentarmos ao facto que no Facebook tem mais de 4,5 milhões de fãs.Mais interessante será para a Armani saber que, em 4o minutos, 6 mil pessoas "clicaram" na sua foto de campanha no Facebook (10 por cento dos "fãs") e mais de 7 mil foram ver a mesma imagem via Twitter (no mesmo espaço de tempo, 40 minutos, 25 por cento dos seguidores).Algumas conclusões:- a marca Cristiano é um bom investimento da marca Armani- o Twitter é mais eficaz que o Facebook em termos de activação- os golos do Ronaldo no Mundial não interessam para nada.Nota: os números deste post desactualizam-se a cada segundo, mas as conclusões, para já, mantêm-se.

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publicado às 22:52

E se víssemos os anúncios uns dos outros?

por Alda Telles, em 05.05.10
[caption id="attachment_295" align="alignnone" width="305" caption="Campanha da marca de genéricos Winthrop - Outubro de 2009"][/caption][caption id="attachment_296" align="alignnone" width="221" caption="Campanha Vulcano - Abril 2010"][/caption]Ao ver estas duas campanhas, em que a imagem utilizada é a mesma, apetece-me perguntar onde andam os criativos da nossa praça?!?!O recurso a bancos de imagens é prática comum, mas não o deveria ser também a análise do mercado, principalmente num mercado de reduzida dimensão, como é o caso do português?

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publicado às 17:41

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