Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



NOS por cá todos bem

por Alda Telles, em 20.05.14

 (Imagem: Dinheiro Vivo)

 

Já muito, e provavelmente quase tudo, foi dito sobre a nova marca NOS, resultante da fusão entre a Optimus e a ZON. Concordo com a generalidade das leituras que foram feitas, de forma mais ou menos espontânea, por leigos e profissionais. O arranque não foi feliz.

 

Uma marca é constituída por dois elementos, o nome e o logotipo. No caso, o nome NOS parece ser o mais problemático, por razões inerentes às dificuldades da língua portuguesa no que respeita à fonética e acentuação das palavras. Têm sido feitas muitas brincadeiras entre NOS e NÓS, algumas com piada. A prazo, este problema irá desaparecer. (Mais complicado parece ser o nome do putativo novo partido de extrema direita que se anuncia).

 

No que respeita ao logotipo, as associações a pratos do Continente, e até símbolos da concorrência, também irão passar com o tempo. De resto, numa análise formal, a nova marca respeita critérios fundamentais como a sua adequação ao sector de actividade (inócuo aqui), a simplicidade (diria mesmo básico), facilidade de identificação e memorização e versatilidade.

 

Há vários exemplos de marcas cujos lançamentos estão envoltos em polémica, por associação a ideias menos desejáveis, plágio aparente, inadequação a determinadas culturas, por exemplo. A médio prazo, os consumidores acabam por se habituar e incorporar a imagem. A marca vingará se cumprir a sua proposta de valor. Num período de crise, os consumidores dão mais valor ao produto que à marca. Melhores preços, bons pacotes, bom serviço, boa assistência, eis o que o infiel consumidor de comunicações procura. 

 

Dito isto, a nova marca arranca com algumas fragilidades:

- É uma marca nova que tem de se impor face a marcas concorrentes muito fortes como Meo ou Vodafone

- O aparente descuido da agência criativa (e do cliente) na pesquisa e identificação dos problemas referidos enfraquece a imagem corporativa

- Resulta de uma fusão, o que gera sentimentos de incerteza quanto à evolução do processo empresarial

- Nasce da morte de duas marcas fortes, gerando sentimentos de nostalgia ou até mesmo de traição junto dos antigos clientes

- Arranca numa altura em que acontecem dois consagrados festivais de música em que a marca Optimus estava enraizada, gerando confusão e alguma irritação por parte dos consumidores destes festivais.

 

A NOS vai precisar de uma forte campanha de relações públicas que ajude a construir a personalidade da marca que ainda não existe (a notoriedade já está garantida, mas não chega) e de um marketing comercial agressivo. Les jeux sont faits, boa sorte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:25

Mensagens


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Henrique Ventura a 20.05.2014 às 23:41

Além dos fatores enumerados há ainda outro que para mim representa a falta de rumo ou pelo menos a construção da marca à pressa: A escolha da música. A Don't Stop Me Now dos Queen doi escrita por Freddy Mercury e é sobre o seu período de festas carregadas de drogas e sexo e das suas orgias bissexuais - e que não foi tocada no famoso concerto de 86 em Wembley. Música adequada para a NOS?
Sem imagem de perfil

De Alvaro a 21.05.2014 às 16:56

A música é brilhante. Mau mesmo é estar associada a esta marca esquisita que, ainda por cima, teve o desplante de cortar a música.

Quanto às orgias, tratando-se de uma obra lírica, as metáforas aplicam-se a imensas situações. Essa interpretação tem mais a ver com quem a faz.

A verdade é que é uma música intensa, cantada num ritmo alucinante.
Imagem de perfil

De Alda Telles a 20.05.2014 às 23:55

Henrique, não sei se essa associação negativa que fazes à música será sentida pela maioria dos consumidores (para o que parece ser o alvo da campanha, os "millenials", provavelmente não). Mas será mais um argumento de pouca preparação e validação da campanha.
Sem imagem de perfil

De Alberto Reis a 24.05.2014 às 03:49

Ora bem , adequado seria a marcha funebre de chopin.
Muda a marca e apenas a marca, o produto , a assistência e o preço isso está como antigamente.
Entendo a fusão e acho que estão a passar ao lado de uma boa oportunidade de lavarem a cara e as mãos do lixo que carregam desde os tempos da TVCabo. Quase me esquecia. Originalidade não reina naquelas paragens.

Comentar post



Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Calendário

Maio 2014

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.