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El perro guardián ha sido narcotizado

por Alda Telles, em 05.05.14

Esta frase de Pedro J Ramirez (ex-director do "El Mundo" e conhecido no meio como Pedro Jota) é mortífera e certeira. Pedro J falava a semana passada em Lisboa, numa conferência sobre o "Poder dos Media" promovida pela consultora GCI e pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. (O jornalista reproduziu no El Mundo de ontem a base da sua conferência em Lisboa e pode ser lida aqui.)

 

Mortífera, porque marca uma tendência que todos os consumidores de informação sentem. A concentração económica nos media, a par de uma profunda crise de recursos, reduz substancialmente esse tal poder de investigar, denunciar e proteger. É nesse sentido que para Pedro J a função watchdog do jornalismo está narcotizada, para não dizer moribunda.

 

Pedro J referiu também que o futuro dos media, a sua sobrevivência, depende das edições digitais. Vaticinando o fim da imprensa impressa daqui a 15 anos na Península Ibérica, o jornalista diz que "o jornalismo precisa de amigos" e que "esses amigos são os assinantes digitais".

 

A frase de Pedro J é também certeira porque, na mesma semana, são publicados os dados da APCT relativos ao primeiro bimestre de 2014. A tendência de perda de leitores, em praticamente todos os segmentos, é gritante. O número médio de exemplares vendidos em papel, por edição, na imprensa diária generalista, diminuiu 10 por cento face ao primeiro bimestre de 2013. Num ano, os diários perderam cerca de 20 mil leitores por dia. Os semanários perderam mais de 36 mil.

 

Parece mais ou menos evidente que as empresas proprietárias dos títulos têm de ter capacidade para assumir perdas crescentes, enquanto não se encontrar um modelo sustentável de negócio digital. Isto significa uma de três coisas: mais concentração, mais redução de custos ou agenda política.

 

O oásis das assinaturas digitais

 

Apesar da boa evolução registada na circulação digital paga, os números são absolutamente residuais:  o líder no digital pago, o Expresso (semanário) tem nove mil assinantes, o Público cerca de 6500 e a Visão pouco mais de 3500... Quando pensamos que Pedro J foi afastado pelos maus resultados do El Mundo que tem, segundo ele, 120 mil subscrições pagas.

 

Entretanto, surgem este mês duas novas plataformas informativas digitais. Amanhã arranca o Expresso Diário online e logo a seguir surgirá o Observador. São dois modelos de negócio totalmente distintos. O Expresso será pago e o Observador será gratuito. Vamos ver como se comportam os respectivos "perros guardianes".

 

 

Nota: sobre a crise nos media, ler este artigo de J-M Nobre Correia no último DN.

 

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publicado às 17:47

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