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Igreja Católica e Comunicação de Crise

por Alda Telles, em 04.04.10
O recente "massacre mediático" da Igreja Católica a propósito dos designados "escândalos da pedofilia" tem derramado rios de tinta (e, sobretudo, milhões de caracteres).Para além da dialética ateus/cristãos, e análises morais e políticas, alguns profissionais de comunicação não puderam evitar equiparar o caso a um típico problema de comunicação de crise.Estamos, sem dúvida, face a uma grave problema de reputação de uma instituição com amplos efeitos na sociedade que extravasam, em muito, a relação dos crentes com a sua fé. A Igreja Católica tem influências vastas na organização das sociedades, nas decisões políticas e nas relações entre cidadãos. Esta crise de reputação afecta, e muito, o mundo em que vivemos.Do ponto de vista das relações públicas, a Igreja tem de fazer face a esta crise repondendo, antes de mais, aos seus stakeholders, isto é, todos aqueles que de alguma forma, se sentem impactados pelas sua acção. E desde logo vemos que este conceito vai muito para além dos crentes, dos católicos. São partes interessadas os ateus (que não perderam, naturalmente, esta oportunidade), os agnósticos e, noutra dimensão, não directamente filosófica, todos os que se relacionam com a instituição: governos, organizações sociais, e cidadãos em geral.Temos outro stakeholder importante: os funcionários da Igreja, actuais e potenciais.Numa primeira fase, a protecção "dos seus" e a esperança de que o assunto esmorecesse,  levou o Papa a reagir na forma primária, procurando desvalorizar a crise como simples " murmúrios da opinião pública". A segunda reacção, também vem nos livros, não livrou a Igreja  da tentação de culpar os criminosos, como assumiu esta semana em Portugal D. Januário Torgal, ilibando ao mesmo tempo de responsabilidades o chefe máximo da instituição. Se pode ser vista como uma declaração corajosa, não deixa de ser a típica reacção de "matar o mensageiro". Para salvar a reputação da instituição, lança-se o anátema sobre os seus representantes.Nada disto augura de positivo na gestão da crise. Os escândalos e os crimes de pedofilia não serão socialmente perdoados, e o recrutamento de novos talentos para a organização será cada vez mais difícil.Uma comunicação aberta, uma doutrina concreta que responda a este aspecto lúgubre da instituição será o único caminho. O mundo fica à espera de uma posição firme e inequívoca da Igreja. Será Bento XVI capaz de organizar uma cimeira, um Concílio, de que emane uma resposta satisfatória para a humanidade? Nomeadamente, um rigoroso código de conduta e as respectivas sanções.Quando o mundo atravessa uma crise tão profunda, em tantas dimensões, a Igreja pode transformar esta crise numa oportunidade.

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publicado às 22:42

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1 comentário

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De jnr a 04.04.2010 às 23:43

O groupthinking é o elemento dominante nesta organização milenar. De vez em quando alguém agitas as águas; é um ciclo de centenas de anos. Ou então é agitada pelos cismas.
Entre nós, agora, apenas um prelado, Januário Torgal Ferreira, diz o óbvio contra a multidão que enterra a cabeça na areia.
O que esta Igreja nunca esperaria é que um cisne negro lhe aparecesse no jardim do Vaticano em pleno séc. XXI.
Os chefes políticos desta organização ainda estão na fase de ver se o cisne negro sai da ribalta mediática, se os factos não ganham a dimensão de bola de neve global, e se os seus seguidores ficam surdos, cegos e mudos.
Como não percebem muito de sistemas não lineares, apesar da resiliência milenar, ainda não entenderam o que se passa debaixo dos pés.
A dado passo colocar-se-á ao Vaticano, o mesmo dilema estratégico que se colocou a Gorbachov. Ou um Vaticano III, ou um enlameamento progressivo.
Não há estratégia de comunicação nem de spin que valha quando os cisnes negros atacam.
Na esquina, esfregando as mãos, os concorrentes mais directos: os herdeiros da Reforma que procurarão ocupar o espaço político do Vaticano onde este se enlamear sem apelo nem agravo, e na raia miúda o reforço do business das seitas.

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