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É mais o que os une que aquilo que os separa

por Alda Telles, em 26.03.10
Têm surgido diversas sondagens, opiniões e comentários sobre o crescente papel das Relações Públicas na produção de conteúdos para os media. Num sentido tendencialmente pejorativo, fala-se de "spin nas notícias", deixando alguns autores insinuar que os profissionais de RP formatam informação à sua medida e que esta é cegamente replicada pelos jornalistas. A conclusão simplista é que cada vez menos devemos acreditar naquilo que lemos, ouvimos ou vemos.Esta questão é muito interessante porque na realidade põe em causa várias profissões: os profissionais de relações públicas (vulgo assessores de comunicação) e os jornalistas, mas também todos aqueles que produzem e são fontes de informação, como especialistas, políticos, polícias ou cientistas. Não é pois com certeza a fonte que determina a credibilidade das notícias.Outro aspecto muito relevante desta questão são os custos da informação. Num aceso debate ontem no Twitter, o director do Expresso dizia "Conteúdos fiáveis custam dinheiro". Não é pois de admirar que os estudos - da Austrália aos Estados Unidos - mostrem que apenas entre 5 a 15 por cento das notícias são desencadeadas por pura investigação jornalística. Todo o resto vem das mais variadas fontes. São os custos, claro, para uma indústria que está desesperadamente à procura de um novo modelo de negócio.No caso do profissional de comunicação e relações públicas (interno à organização ou de uma consultora), não é por ele ter objectivos concretos no fornecimento de uma informação que a torna falsa ou enviezada. O que pode acontecer - acontece cada vez mais - é a falta de tempo dos jornalistas (e outros distribuidores de informação, como os bloggers) para aprofundarem as matérias ou até mesmo para confirmarem ou confrontarem as histórias que lhes são contadas.Tal pressupõe que ambas as profissões observem as mais elementares regras de uma relação win-win. O profissional de comunicação e relações públicas tem como dever deontológico não falsificar informação e o jornalista tem o dever de exigir a fiabilidade dos factos e, se se sentir "manipulado" ou "enganado", confirmar, cruzar ou desprezar essa informação.Se as Relações Públicas "conduzem a agenda dos media", é porque os bons profissionais fazem o seu trabalho, pesquisando, estudando tendências, preparando e fornecendo boas matérias para os jornalistas. Isto é bom para estes e para as suas empresas em dificuldades.O que para ambos é fundamental, é rejeitar liminarmente, e sem pudores,  a teoria do "spin" como base das suas respectivas missões. É mais, portanto, o que os une do que aquilo que os separa.

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publicado às 13:54

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6 comentários

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De João Villalobos a 26.03.2010 às 14:18

100% de acordo. Mas tens uma gralha em "enpresas" no 2º parágrafo :)
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De Alda Telles a 26.03.2010 às 14:44

Já está corrigido! :) estás a assessorar bem ;)
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De Domingas Carvalhosa a 26.03.2010 às 15:03

Apoiado. Convém não esquecer que muita informação apenas chega aos jornais pelo facto de os consultores conseguirem libertá-la. de outra forma não chegariam nunca.
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De Alda Telles a 26.03.2010 às 15:15

Totalmente verdade. O papel de facilitador, muitas vezes de "saca-rolhas" da informação junto dos próprios clientes, é um precioso apoio ao trabalho dos jornalistas. Para não falar do trabalho de muitas vezes esses dados chegarem analisados, trabalhados, ordenados e destacando o essencial e apelativo para os públicos dos media. Se isto é spin, pois é exactamente o trabalho do jornalista.
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De Pedro Figueiredo a 28.03.2010 às 20:48

Muitas vezes não é a falta de tempo que torna o trabalho de um gabinete de comunicação importante para o jornalista, mas sim o acesso à fonte. O gabinete trabalha para um cliente que lhe paga pelo serviço de servir de veículo à Imprensa (apenas para o bem e nunca para o mal, obviamente!)

Não há dúvida (e eu respeito muito o trabalho dos gabinetes, porque também beneficio deles) que o serviço prestado pode ser relevante, mas não raras vezes não o é para ambas as partes (cliente e jornalista).
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De Alda Telles a 28.03.2010 às 21:21

Não tenho a certeza de ter percebido bem, Pedro. Está a dizer que o serviço prestado pelo gabinete pode não ser relevante para o jornalista, porque o gabinete apenas "veicula para o bem", é isso? Impedindo assim o jornalista de aceder à "má" informação? É isso que quer dizer?

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