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Pope Star

por Alda Telles, em 29.11.13

O Papa Francisco durante a sua primeira missa na Praça de São Pedro, beija a testa de um deficiente. Jeff J Mitchell/Getty Images

"Não é um papa politicamente correcto." Este é um dos muitos soundbites criados para o Papa Francisco pelo seu "senior media adviser", o ex-jornalista da Fox News Greg Burke.

 

O novo papa está em vias de criar uma nova bíblia, a bíblia das Public Relations. O trabalho de reposicionamento da Igreja Católica tem sido estonteante. Diz-se que muito se deve a Greg Burke, já considerado um guru das PR mas que até há pouco era apenas um entre as centenas de jornalistas acreditados no Vaticano. Muito se deve também certamente ao próprio Bergoglio, um comunicador nato.

 

Para não vos maçar, ensaio aqui o que poderiam ser os primeiros cinco mandamentos de Francisco, campeão da comunicação:

 

1. Não escolherás um nome que não tenha sentido imediato. Inspirou-se em São Francisco de Assis, símbolo da humildade e do amor à pobreza

 

2. Não perderás uma photo-op. Uma das tarefas mais importantes de um assessor de media é identificar, em cada momento, uma boa oportunidade para uma imagem que corra mundo. Este papa tem muitas, e não são de sapatos Prada.

 

3. Não renegarás um Publicity Stunt. Já falámos aqui deste conceito. Um dos mais bem conseguidos até à data foi a iniciativa do papa lavar e beijar os pés de prisioneiros, incluindo um muçulmano.

 

4. Não insistirás em temas que dividem cristãos e a humanidade em geral. Francisco soube desviar o foco tradicional da igreja em temas de sexo e estilos de vida para os temas da dignidade humana e justiça social.

 

5. Não ficarás atrás de Mário Soares. A mais recente posição pública do papa foi sobre o sistema capitalista, considerada a posição mais radical sobre o sistema económico jamais assumida por um papa.

 

Os mais críticos ou desconfiados desta mudança radical no discurso da Igreja dizem que o discurso mudou mas as posições fundamentais da Igreja Católica não mudarão tão cedo. De facto, o Papa alargou os públicos-alvo das suas mensagens a mulheres, mães solteiras, gays e ateus mas não há nenhuma alteração relativamente a posições como contracepção ou ordenação de mulheres. 

Nos tempos de crise que correm, a voz de conforto e defesa dos mais fracos tem sustentado a popularidade de Francisco. A prazo, terá de escolher novos caminhos para a doutrina social da Igreja.

 

 

Como sabem todos os gestores de branding, um reposicionamento só tem eficácia se houver consistência e coerência nas mensagens.

 

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publicado às 12:30

Casual Friday

por Alda Telles, em 29.11.13

 

Os consultores de imagem não conhecem limites. Até põem cebolas a fazer rir.

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publicado às 08:50

Tempus já não fugit

por Alda Telles, em 28.11.13



O SAPO estreia hoje uma plataforma a que chamou Máquina do Tempo. E que nos permite viajar pelas notícias dos últimos 25 anos relativas a um conjunto de personalidades nacionais e estrangeiras.


O nome não engana: podemos aceder a sete milhões de notícias, num repositório baseado no arquivo da Lusa. O site tem também notícias em tempo real, já alargadas a outros meios de comunicação.


Em termos de actualidade, tem uma funcionalidade interessante, diz-nos quais foram as personalidades mais referidas nas notícias nos últimos sete dias.


Ainda não explorei devidamente, mas parece-me uma ferramenta de pesquisa muito interessante, embora limitada à pesquisa por personalidades e não outros temas, como acontecimentos.


Comecem a explorar aqui.


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publicado às 19:33

Auto-retratos e cara de pato

por Alda Telles, em 24.11.13

Selfie, que já tem tradução oficial na Infopédia como autofotografia, foi eleita a palavra do ano pelo Oxford Dictionary. O autoretrato, antes confinado a artistas, está agora ao alcance de qualquer fulano com braços e um telemóvel. É um fenómeno social, já exaustivamente analisado por psicólogos e sociólogos, que já catalogaram as diversas espécies de selfies - os exibicionistas, os extrovertidos e os que gostam de estragar a paisagem onde estão. Devo admitir que tenho uns quantos selfies, destinados à minha apresentação nas redes sociais e para ilustrar artigos quando os meios me pedem.

 

Do ponto de vista da comunicação de marketing, é uma forma de expressão com potencialidades ilimitadas. As marcas e as instituições têm aqui um grande terreno para explorar. Por exemplo, passatempos com selfies e o nosso produto/local/evento.

 

Há um aspecto desagradável nesta moda. parece que também cresce a tendência para os autoretratos com as "duck faces". A que nem a Mona Lisa escapou. Vou ali fazer umas boquinhas e já volto.

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publicado às 16:39

Não percam isto!

por Alda Telles, em 22.11.13

 

Bob Dylan lançou um video comemorativo dos seus 50 anos de carreira. 

Mas não é um video qualquer, é uma experiência interactiva que permite aos utilizadores ver 16 canais de TV diferentes em tempo real.

Não digo mais, vejam, sem se esquecerem de usar as setas do teclado ou na barra esquerda do video.

 

Cliquem aqui e divirtam-se. How does it feel?

 

  

Mais detalhes técnicos aqui.

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publicado às 18:32

 

24 horas depois de ter sido criada, a página de ódio no Facebook "Nunca mais vou beber pepsi" tinha mais de 65 mil "gostos"

 

Com pouco tempo e dois bons artigos escritos sobre o assunto, vou deixar apenas algumas notas sobre o caso Pepsi vs Ronaldo. Tema incontornável e certamente um case study na categoria "Burrice".

 

1. Uma marca global como a Pepsi não pode achar que faz uma campanha provinciana para sueco ver e achar que o mundo não vai ligar (esse é o principal eixo dos artigos que aqui vou partilhar)

 

2. Uma marca global como a Pepsi, de um produto líquido e escuro, deve pensar muito bem antes de se meter com outra marca global, só que de carne e osso e geradora de paixões como uma estrela de futebol.

 

3. A marca agiu by the book: o primeiro passo, em comunicação de crise, é admitir imediatamente o erro e pedir desculpas. Embora com algumas limitações: fê-lo apenas na sua página do Facebook. No site, é como se nada tivesse acontecido. Também devia ter alargado as suas desculpas a todos os seus consumidores e não apenas ao Ronaldo, à selecção nacional e "aos que se sentiram ofendidos". A marca devia ter repudiado a campanha "criativa" pela homofobia, xenofobia e incitamento à violência que certamente não se insere nos seus valores. Foi uma resposta demasiado frouxa para acalmar os ânimos e aquém daquilo que se espera de uma empresa global.

 

4. Uma terceira marca está omnipresente nesta crise: a Coca-Cola. Num mercado duopolista, a desgraça de uma é a felicidade da outra. Um estado de graça com que qualquer concorrente sonha.

 

Aqui deixo os artigos que gostei de ler sobre o assunto:

 

Pepsi e o futebol: o que não pode acontecer

 

Pepsi vs Ronaldo ou será Golias vs David?

 

Adenda: o Francisco Teixeira fez também uma interessante análise no Facebook.

 

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publicado às 19:30

O trilema dos discursos

por Alda Telles, em 19.11.13

Discursos

 

"There are always three speeches, for every one you actually gave. The one you practiced, the one you gave and the one you wish you gave.”

 

– Dale Carnegie

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publicado às 13:14

A capa do Libé de amanhã

por Alda Telles, em 18.11.13

Magnífica capa, pelo despojo. Nada mais a dizer, nada para ilustrar o absurdo atentado de que hoje o jornal foi vítima.

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publicado às 20:35

Prenúncios do fim do mundo

por Alda Telles, em 18.11.13

O Financial Times já não é salmão. 

 

Capa de edição de amanhã, 18 de novembro de 2013

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publicado às 00:16

O novo partido ecológico-dormideiro

por Alda Telles, em 16.11.13

 

LIVRE é o nome do novo partido de esquerda lançado hoje por Rui Tavares. Já tem site e logotipo.

 

Devo confessar que o logotipo me sobressaltou pois sou traumatizada por papoilas saltitantes. Mas, ultrapassado este condicionamento clubístico, percebi que não é só isso que me incomoda no símbolo do novo partido.

 

Vamos por partes, que é como se deve analisar um logotipo (ou logomarca):

 

1. O lettering: moderno, aparentemente desenhado propositadamente para este fim

2. O símbolo: uma papoila. Os significados geralmente atribuídos à papoila são : falsa paixão, sonho, extravagância, fertilidade e ressurreição.

3. A caixa: verde. 

 

Não deixa de ser curioso o logotipo de um partido chamado Livre estar cerceado por uma caixa. Não deixa de ser curioso que um partido que preza a acção, a participação política dos cidadãos use como símbolo uma planta intimamente ligada ao ópio, ao adormecimento.

 

Os logotipos e os símbolos das marcas e organizações são a sua representação gráfica e visual e são alvo de interpretações, reacções, leituras, associações. Quer de forma profissional quer de forma puramente emocional pelo cliente ou potencial cliente.  A sua importância é tal que, sempre que é lançada ou redesenhada uma logomarca, as organizações tratam de a explicar. A origem, o processo criativo, a simbologia associada à missão, etc.

 

Seria interessante ter acesso à memória descritiva da imagem escolhida por este novo partido. 

 

Adenda: foi notado, e bem, por amigos no Facebook que a papoila também é símbolo, nos países da Commonwealth, do Remembrance Day ou Poppy Day. E que terá inspirado, segundo me diz o José Diogo Madeira, a candidatura de Fernando Nobre. Isto dos logotipos devia vir sempre com o aviso "qualquer semelhança com outros símbolos é pura coincidência".

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publicado às 16:32

A outra entrevista, as mesmas garfadas

por Alda Telles, em 14.11.13

Declaração prévia: gosto do Fernando Moreira de Sá.

 

Posto isto, a sua entrevista à Visão dá-me o mote para discorrer sobre aspectos da preparação de entrevistas que são sistematicamente descurados, até pelas pessoas mais preparadas. 

 

A máxima mais importante, a reter para qualquer entrevista: estamos a falar para os leitores, não para o jornalista. 

Segunda máxima: a entrevista deve ser dada em ambiente controlado pelo entrevistado.

Terceira máxima: não há jornalistas amigos (não confundir com amigos jornalistas)

 

Estas máximas não foram obviamente acauteladas na famosa entrevista de José Sócrates a Clara Ferreira Alves e na já não menos famosa entrevista de Fernando Moreira de Sá a Miguel Carvalho.

 

Ambos fizeram questão, como experientes que são nas relações com os media, em não fazer nenhuma exigência ao entrevistador. Ambos sabiam que não há outra forma que não seja confiar na edição do entrevistador para que saia um produto final equilibrado, que dê ao leitor o essencial da conversa.

 

Esta expectativa sai geralmente, em maior ou menor grau, frustrada, porque o entrevistador não destacou o que achamos essencial e importante, porque destacou um aspecto marginal, porque o título saiu redutor e muita aquém da riqueza das mensagens e do conteúdo que procurámos passar. É normal, não há entrevistas perfeitas porque não há entrevistados nem entrevistadores perfeitos. Ainda assim, há um inimigo fatal: o excesso de confiança. Ou de auto-confiança, ou de confiança no entrevistador.

 

Em grandes entrevistas institucionais, como foi a de José Sócrates, a edição foi quase mortal. O alinhamento dos temas foi algo caótico e, sobretudo, a não-edição da linguagem coloquial, da conversa "de café" (no caso, de restaurante italiano), que se colou à pele do entrevistado e fez de todos os leitores virgens do século XIX. Evidentemente que a não-edição foi opção da entrevistadora, e certamente não esperada pelo entrevistado.

 

No caso do Fernando Moreira de Sá. que se proclama publicamente um filho do Norte, tenho a certeza que o entrevistador editou e "limpou" todos os "caragos" da conversa. Ainda assim, o entrevistado viu-se obrigado a prestar esclarecimentos, apesar de frisar a correcção das transcrições do jornalista. O que significa que, provavelmente, depois de vários "jantares no Antunes", as guardas baixaram durante a entrevista formal.

 

Sobre a qualidade e pertinência dos conteúdos de cada uma das entrevistas, diria que são duas entrevistas históricas. E que dois mestres em comunicação não as conseguiram dominar completamente. Conselho: levem sempre um assessor às entrevistas.

 

 

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publicado às 22:00

Relações Públicas? Assim-Assim

por Alda Telles, em 13.11.13

 

 

Martin Sorrell, patrão do grupo WPP, falou ontem no PR Summit em Miami, sobre o estado da indústria de relações públicas. Os resultados na sua companhia não têm sido entusiasmantes e as expectativas de recuperação remetem demasiado para o médio e longo prazo.

 

A partir de uma linha de tweets, segui ontem à noite em tempo real as suas principais declarações:

 

 

Sorrell acredita que a "descolagem" das RP acontecerá quando for totalmente integrada no marketing mix. Quanto mais integradas as campanhas forem, maior será a voz das RP. Concordo absolutamente. Hoje a maioria dos orçamentos para RP de uma campanha são "aquilo que sobra" depois de todo o resto ter sido aplicado nas outras disciplinas do marketing e da comunicação. Normalmente sobra pouco.

 

Para o futuro, e como grande oportunidade para as RP, Sorrell vê a Responsabilidade Social Empresarial (CSR), actualmente em forte desinvestimento pelas empresas. Desde que se esteja no negócio no longo prazo, explica Sorrell. Como no longo prazo estamos todos finados, não fiquei entusiasmada.

 

Entretanto descobri um resumo da apresentação pode ser lido aqui.

 

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publicado às 08:50

A campanha que eu gostaria de ter feito

por Alda Telles, em 11.11.13

Exercício de inveja saudável inspirada na rubrica do Dinheiro Vivo com este nome. A campanha "Censorship tells the wrong story"  dos Repórteres sem Fronteiras usa imagens pixeladas de líderes políticos para criar ilusões de óptica divertidas com forte impacto visual e que passam a mensagem do absurdo a que a censura pode levar.


 

 

Mais imagens desta campanha da Ogilvy & Mather Dubai aqui.

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publicado às 08:35

O livro dos tempos modernos

por Alda Telles, em 09.11.13

Dezoito minutos de puro deleite, é o que vos deixo aqui este sábado.

Um filme mudo de 1925 que mostra passo a passo a produção de um livro. No caso, O Oxford English Dictionary.

Quando o processo envolvia milhares de trabalhadores hiper-qualificados e ultra especializados.

E que inevitavelmente nos remete para o melhor filme de Chaplin, Tempos Modernos.

 

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publicado às 10:38

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