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To rate ou not to rate, that is the question

por Alda Telles, em 30.04.10
A propósito da última revisão em baixa da Standard&Poor's, notando Portugal com um modesto A-, importa saber - o que são afinal estas agências?As agências de rating internacionais são empresas que avaliam a capacidade de um determinado país ou empresa em cumprir os seus compromissos financeiros. E a capacidade em cumprir o pagamento, ou o risco de não o cumprir, determina o valor a pagar pelos empréstimos que o Estado, Bancos ou empresas vão contrair lá fora.Resumindo e baralhando e de uma forma muito simplista, o resultado desta nossa última avaliação não deverá andar muito longe de:
  • O Estado vai encontrar formas de passar este acréscimo do preço do dinheiro para terceiros, ou seja, os contribuintes.
  • Os Bancos, não querem nem podem perder as suas margens de lucro logo, encontrarão também ferramentas para contornarem esta questão, ou seja, os clientes vão pagar mais pelos empréstimos contraídos.
  • As grandes empresas, arranjarão também elas formas de dar a volta ao problema, aumentando um tudo ou nada os preços de venda dos seus produtos/serviços ou emagrecendo as regalias extra dos seus colaboradores.
  • As pequenas e médias empresas, muito provavelmente e se conseguirem sobreviver, passarão a micro e pequenas empresas, desacelerando de tal forma os seus investimentos a níveis nunca antes imaginados, que contribuirão para um crescimento económico negativo ou muito perto do zero.
Posto isto, questiono-me sobre a oportunidade da avaliação do rating de Portugal, agravando a nossa situação financeira internacional, colocando em causa a viabilidade económica do país e afogando contribuintes e empresas.Já agora... se os países e as empresas são avaliados, quem avalia as agências de rating? Sim, porque se estas agências avaliam países, deveriam também elas ver avaliada a sua competência, isenção e transparência.

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publicado às 17:35

[caption id="attachment_249" align="aligncenter" width="614" caption="Capas dos jornais hoje no Reino Unido"][/caption]

Gordon Brown está a viver um dos maiores pesadelos que um político em vésperas de eleições pode viver. Foi difundida uma conversa privada com o seu staff (creio que pela Sky News)  e cuja novela podemos ver aqui.

É provável que este episódio não tenha uma influência decisiva nas votações. Nesta altura, quem não gosta de Brown tem mais motivos para alimentar ódios, quem já pretendia votar Labour não levará o desabafo a peito. Pelo menos, uma sondagem ontem do Sun (que o jornal, significtivamente, não publicou) revelou que a maioria dos ingleses não se sentiu especialmente incomodada com os comentários.Em termos de comunicação, o "Bigotgate" suscita duas questões que me interessam. A primeira, a divulgação de uma conversa completa e inequivocamente privada entre Brown e o seu staff, dentro do seu carro, com a porta fechada. O facto de o microfone ter ficado ligado não justifica, na minha opinião, que a estação de televisão tenha utilizado o que designo de verdadeiras "escutas ilegais".Há quem dirá que são de "interesse público", porque "revelam o verdadeiro carácter" e a hipocrisia de Brown. Hipócritas são aqueles que fingem acreditar que, como muito bem disse Vasco Campilho no twiiter, "não há ninguém que, nalgum momento, não tenha acenado a alguém enquanto entre-dentes lhe chamava de parvo". Isto não define o carácter de ninguém, muito menos um político desgastado, sob enorme stress, numa disputa eleitoral renhida.O segundo aspecto, e o que mais me interessa, é a "gestão da crise mediática" dos conselheiros de Gordon Brown. O pedido de desculpas público, a explicação dada numa entrevista à BBC, creio que se impunha. O caso foi demasiado exposto.A ida de Brown a casa da Sra. Duffy, para lhe dar explicações pessoalmente, e ainda se desculpar com o seu satff, foram, a meu ver, patéticas e absolutamente desnecessárias. Segundo as sondagens, os mesmos que acharam um escândalo o que ele disse da "bigotuda" senhora, acharam que Brown não estava a ser sincero (e acredito que não) e os que não lhe deram importância talvez se tenham sentido um pouco incomodados.O desvario mediático, levado aos extremos no Reino Unido (parece que a Sra. Duffy já tem um agente de relações públicas) leva ao desnorte da comunicação de crise. Estamos a criar políticos patetas e medrosos e uma opinião pública intoxicada, quando os desafios dos países e das populações nunca foram tão terríveis.

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publicado às 14:36

Homenagem à vírgula, essa maltratada

por Alda Telles, em 28.04.10

Uma bela campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), e a justa homenagem à Vírgula, esse sinal hoje tão maltratado. Sinal dos tempos.

Vírgula pode ser uma pausa... ou não.Não, espere.Não espere..Ela pode sumir com seu dinheiro.23,4.2,34.Pode criar heróis..Isso só, ele resolve.Isso só ele resolve.Ela pode ser a solução.Vamos perder, nada foi resolvido.Vamos perder nada, foi resolvido.A vírgula muda uma opinião.Não queremos saber.Não, queremos saber.A vírgula pode condenar ou salvar.Não tenha clemência!Não, tenha clemência!Uma vírgula muda tudo.ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

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publicado às 15:05

Um grupo de jovens empreendedores, com o apoio da jeKnowledge, aJúnior Empresa da FCTUC e da Webreakstuff, uma startup dedicada à web tiveram a coragem de organizar um evento ambicioso, o SWiTCH 2010, que vai ter lugar na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra nos próximos dias 15 e 16 de Maio.A organização pretende juntar mais de 500 pessoas e trazer 30 apresentações, discussões em palco e um amplo espaço para networking. Promete um painel impressionante de oradores, como Loic LeMeur, CEO da Seesmic e Fundador da LeWeb; Laurent Haug, CEO da LiftLab; Charles Spence, Professor da Universidade de Oxford na área de Psicologia ou Rachel Armstrong, Cientista e TEDx Fellow, entre muitos, muitos outros.Das melhores colheitas nacionais, Carlos Fiolhais, Paulo Querido e Frederico Lucas.Temas: Internet e Desenvolvimento (“Web & Development”); Ciência (“We live in Science”); Tecnologia (“The Future is Today”); Empreendedorismo (“Entrepreneurship Rules (always)”); Ideias para o Futuro (“Out of the Box Thinking”); Histórias/Relatos na Primeira Pessoa (“My Story”).Quando o país está envolto na psicose da crise, é bom ver que muitos jovens mantêm o espírito empreendedor e resolvem trazer o futuro para a discussão. Parabéns e boa sorte!

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publicado às 15:10

Má informação ou má comunicação?

por Alda Telles, em 20.04.10
No tempo em que os ministérios, os institutos, as câmaras, a presidência, tudo e mais um par de botas (menos os tribunais) têm sites, "gabinetes de comunicação", assessores de imprensa e imagem e todo um exército de gente paga pelo erário público para disponibilizar informação e responder a perguntas, obter "dados" sobre seja o que for, é, como há 20 anos, um martírio.
Este extracto de um post da jornalista Fernanda Câncio intitulado "Má informação" deu o mote para uma ideia há muito discutida em Portugal (e não só) pelas consultoras de comunicação e relações públicas.Os casos relatados por F. Câncio como "Assessores de imprensa que nunca têm tempo para atender o telefone ou que quando o atendem é para dizer "mande-me um mail"; que chegam a levar meses (tenho um caso recente) a responder a perguntas e mesmo assim só parcialmente ou nada;(...)" estão nos antípodas da postura das consultoras.A missão das consultoras de comunicação é facilitar acessos, informação, dados, estatísticas, posições, comentários. Fazem-no, em primeiro lugar, para servir os interesses ou as necessidades de comunicação dos seus clientes (que podem ser empresas privadas, mas também associações, organismos públicos, ONG, pessoas ou grupos de interesse) e que tenham relevância pública para os meios a que destinam as suas mensagens.Mas fazem-no também, muitas vezes, apenas para ajudar um jornalista numa matéria sobre a qual possuem informações e contactos. E, muitas vezes também, sem nenhum benefício concreto para o seu cliente.Aliás, os jornalistas tão bem sabem disso que quantas vezes, para obterem dados ou documentos oficiais sobre um tema público, ligam directamente para as organizações e empresas não-estatais ligadas a esse tema. Sabem que, se essa informação existir, e não estiver sob reserva de confidencialidade, as consultoras tudo farão para ajudar.Não se trata aqui de bons samaritanos. Apenas e tão só uma forma transparente e desassombrada de trabalhar informação. Como F. Câncio diz, "a maioria dos  assessores de gabinetes já foram jornalistas". Pois bem, nas consultoras também existem ex-jornalistas. A questão é que, para uma missão aparentemente igual, as posturas são diferentes. A diferença é que os consultores dependem da sua competência, do seu profissionalismo e da sua boa reputação para sobreviver. São pagos para trabalhar, gerir e disponibilizar informação, não para a sonegar ou reter. É outra atitude perante a informação. As consultoras são hoje reconhecidas como os players mais transparentes do sistema mediático (que os social media vieram ampliar, e onde as consultoras também já trabalham com profissionalismo).Dito isto, deixo aqui o repto: Para quando a profissionalização da comunicação pública? Como em qualquer organização, deve existir um responsável interno pela comunicação. Mas este deve ser apoiado por uma equipa profissional que sabe que a transparência e o acesso rápido a informação, as respostas oportunas às questões dos jornalistas são condição para um jornalismo também ele mais conhecedor e por isso de maior qualidade, evitando as "manipulações e distorções" que Fernanda Câncio também refere no post.Se, recentemente, o governo recrutou uma agência internacional para trabalhar informação pública junto dos media internacionais, porque não fazê-lo internamente, ao nível de ministérios, agências estatais e outros organismos públicos?Responder-me-ão que os assessores são cargos que exigem confiança? Claro. O trabalho das consultoras também se baseia em confiança e um consultor tem deveres éticos de lealdade, confidencialidade e verdade.Uma ideia sobre a qual gostava de saber a opinião dos partidos que defendem a transparência, a democracia e a sociedade civil.

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publicado às 15:53

Blogs e ética

por Alda Telles, em 14.04.10
As conversas são como as cerejas e cá volto eu ao tema. Mas as questões de ética são um dos meus campos de interesse e o facto praticamente estabelecido que os bloggers não estão sujeitos a códigos de ética ou deontológicos é mais um daqueles temas que acredito que vão evoluir.Reportando-me mais uma vez à realidade norte-americana, onde já vimos que os blogs são verdadeiros media e muitos bloggers se equiparam a jornalistas, deparei-me com o famoso colunista e blogger do New York Times, David Pogue e a sua "Note about Ethics and Disclosure". Não é o facto de não ser jornalista que impede Pogue de declarar os seus interesses e de seguir princípios no que respeita à cobertura que faz de temas e produtos, incluindo não aceitar ofertas das marcas e empresas e chega ao ponto de não deter acções de companhias sobre as quais escreve.Eu diria que este código é mais restritivo que o de muitos jornais. Para não falar do de colunistas.

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publicado às 15:11

São os blogs meios de comunicação social?

por Alda Telles, em 13.04.10
O tema é inesgotável, e parece que o rastilho lançado pelo Rodrigo pegou.Vou apenas referir, porque muito interessante, a análise do Nuno Gouveia à realidade norte-americana e de que recomendo a leitura. Chego à conclusão, a partir do histórico feito pelo Nuno que, de facto, faz sentido que nos Estados Unidos os bloggers se equiparem cada vez mais a jornalistas (quem quiser pode ver aqui o resumo do estudo) Basta ver a quantidade de blogs que se transformaram em meios de comunicação social e que, no jargão actual, se denominam de social media.
Claro que em Portugal estamos a milhas dessa realidade. Mas acredito que cá chegará. Como em tudo o resto, o nosso atraso tem a ver com a falta de recursos, o pequeno mercado e a tradicional cultura de minifúndio, onde cada blog tem a sua quintinha. Por isso demorará a transformação dos blogs em verdadeiros social media. Não deixam, contudo, sobretudo na política (mas não só) de serem media cada vez mais influentes.
Depois, no blog do 31 da sarrafada, o Fernando Fonseca, que se assume como "blogger sem agenda" e refuta o epíteto de jornalista,  dá o mote a comentários a esse post, muito interessantes, da Jonas Nuts, que equipara os blogs a orgãos de comunicação social, mas distingue-os claramente dos "orgãos tradicionais".
Por fim, o Carlos José Teixeira, no seu blog semiose.net  procura definir a linha que separa bloggers de jornalistas: obrigações legais, éticas e deontológicas dos segundos que os primeiros, de facto, não têm.
Numa desesperada tentativa de síntese, arrisco-me a esta: num futuro mais ou menos próximo, todos os meios de comunicação social terão uma configuração próxima dos blogs. Uns serão de grande dimensão e terão profissionais (que não sei como se chamarão) e outros serão pequenos blogs pessoais, ou de pequenos grupos, ou corporativos, e serão amadores (como se pretende equiparar agora os bloggers). Antevejo ainda a extinção da ERC...

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publicado às 19:51

Ainda os jornalistas e os bloggers

por Alda Telles, em 12.04.10
Como o post anterior gerou reacções homónimas, do Rodrigo Saraiva e do Rodrigo Moita de Deus, junto apenas mais uma reflexão à de ontem.Não querendo fazer "rodriguinhos" ;), acho que neste momento todos temos razão.Blogging não é, assumidamente, jornalismo, nem os jornalistas são comunicação social.Apenas me parece que a questão não pode ser tão simplificada como o querem crer os dois ilustres colegas. A questão levanta-se sempre que surgem as questões formais, como a de deverem os bloggers ser credenciados ou não em determinados eventos ou se devem ter um tratamento diferenciado dos jornalistas.Que os blogs são media, vulgo social media, sem dúvida. Mas alguns pretendem apenas falar para o umbigo ou para um número restrito de fanáticos, numa lógica de groupthinking, tomando o conceito emprestado de Jorge Nascimento Rodrigues. Outros têm vastas audiências e variados públicos, e podem ter um papel tão ou mais influente que os jornalistas dos "outlets tradicionais", mesmo na produção de informação nova (o recente lançamento do Activo Bank foi exemplo disso).A questão que se levantou no congresso do PSD é paradigmática de como é difícil navegar nestas linhas tão finas. Pergunto-me, no caso concreto, se não teria feito mais sentido Pedro Passos Coelho ter promovido uma "media conference", em vez de um "encontro com bloggers" e "nenhuma conferência de imprensa" sem traçar distinções que podem roçar o ridículo (e arriscado, para quem está a iniciar o seu estado de graça).

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publicado às 14:17

Paz, pão e liberdade de bloggar

por Alda Telles, em 11.04.10
[caption id="attachment_200" align="alignleft" width="225" caption="Foto de Luciano Alvarez (Público) via blog "31 da Sarrafada""][/caption]O "acontecimento" mais interessante do congresso social-democrata foi a inesperada "guerra" que estalou entre jornalistas e bloggers. O novo presidente do PSD, num gesto de "modernidade" e em reacção ao anterior congresso onde os blogs não foram credenciados, resolveu promover uma reunião apenas com escritores da blogoesfera.As reacções de jornalistas, alguns com décadas de cobertura de congressos e circuitos da carne assada, não se fez esperar, como revelaram este tuite e este.Este assunto levanta, pelo menos, duas questões interessantes: Deverão os políticos olhar para os blogs e as redes sociais com media prioritários? E, poderão os bloggers equiparar-se a jornalistas?Sobre a primeira questão, penso definitivamente que sim. Embora seja absurdo, quando os meios tradicionais ainda representam uma força cujo melhor exemplo é o recurso que os blogs e o twitter fizeram da televisão durante o congresso, hostilizar esses mesmos media. O grande desafio da comunicação é, precisamente, saber trabalhar com as duas realidades.Sobre a segunda questão, parece que os bloggers em Portugal ainda não se assumem como jornalistas, pelo menos estes e estes. Essa não é, contudo, a opinião no mais maduro mercado americano, conforme já se deu nota aqui. Um recente estudo da PR Week revelou que 52% dos bloggers norte-americanos se consideram jornalistas.Esta é um questão altamente controversa e as reacções negativas reportam-se sobretudo à questão profissional, aos códigos de conduta e à responsabilidade. Requisitos que os jornalistas têm de respeitar e os bloggers, para já, não.Posto desta forma, é verdade. Mas trata-se apenas de uma questão de tempo e de forma. A audiências e a influência dos bloggers é crescente e, tal como os jornalistas, são capazes de difundir informação (e opinião?) rapidamente.A questão da qualidade e da credibilidade, tal como se coloca aos jornalistas, é, como em tudo, uma questão de selecção natural. Os bons bloggers rapidamente encontrarão a necessidade de serem sérios, rigorosos e autênticos para ganharem a confiança dos seus leitores.

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publicado às 20:37

Uma das minhas colaboradoras, formada no ISCSP, comentou hoje, com satisfação,  o "salto de qualidade" e afirmação a sua antiga escola.

De facto, temos acompanhado as iniciativas do Núcleo de Ciências da Comunicação e, da oferta que conheço no mercado português, a qualidade dos temas, programas e oradores do ISCSP, resulta um nível superior de interesse e oportunidades que os profissionais de comunicação podem - e devem - aproveitar.

Pensado primariamente para os seus alunos (um luxo), os eventos do ISCSP procuram trazer o melhor do mundo profissional para o mundo académico. Mas, é bom dizê-lo, traz também aos profissionais o acesso a experiências e contactos com outros profissionais. Num momento de crise, eis uma oportunidade para empresas e comunicadores investirem na sua formação.

aqui referimos um interessante seminário sobre marketing de turismo e marketing de luxo a que tivemos oportunidade de assistir.

Agora, o ISCSP brinda--nos com um cartaz de luxo nas "Jornadas da Comunicação 2010". Deixo-vos aqui o programa. E deixo os meus parabéns à  organização na pessoa de Prof. Raquel Ribeiro, grande dinamizadora da escola e autora de um blog sobre marketing e comunicação, aqui referenciado no lado direito.

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publicado às 23:06

Igreja Católica e Comunicação de Crise

por Alda Telles, em 04.04.10
O recente "massacre mediático" da Igreja Católica a propósito dos designados "escândalos da pedofilia" tem derramado rios de tinta (e, sobretudo, milhões de caracteres).Para além da dialética ateus/cristãos, e análises morais e políticas, alguns profissionais de comunicação não puderam evitar equiparar o caso a um típico problema de comunicação de crise.Estamos, sem dúvida, face a uma grave problema de reputação de uma instituição com amplos efeitos na sociedade que extravasam, em muito, a relação dos crentes com a sua fé. A Igreja Católica tem influências vastas na organização das sociedades, nas decisões políticas e nas relações entre cidadãos. Esta crise de reputação afecta, e muito, o mundo em que vivemos.Do ponto de vista das relações públicas, a Igreja tem de fazer face a esta crise repondendo, antes de mais, aos seus stakeholders, isto é, todos aqueles que de alguma forma, se sentem impactados pelas sua acção. E desde logo vemos que este conceito vai muito para além dos crentes, dos católicos. São partes interessadas os ateus (que não perderam, naturalmente, esta oportunidade), os agnósticos e, noutra dimensão, não directamente filosófica, todos os que se relacionam com a instituição: governos, organizações sociais, e cidadãos em geral.Temos outro stakeholder importante: os funcionários da Igreja, actuais e potenciais.Numa primeira fase, a protecção "dos seus" e a esperança de que o assunto esmorecesse,  levou o Papa a reagir na forma primária, procurando desvalorizar a crise como simples " murmúrios da opinião pública". A segunda reacção, também vem nos livros, não livrou a Igreja  da tentação de culpar os criminosos, como assumiu esta semana em Portugal D. Januário Torgal, ilibando ao mesmo tempo de responsabilidades o chefe máximo da instituição. Se pode ser vista como uma declaração corajosa, não deixa de ser a típica reacção de "matar o mensageiro". Para salvar a reputação da instituição, lança-se o anátema sobre os seus representantes.Nada disto augura de positivo na gestão da crise. Os escândalos e os crimes de pedofilia não serão socialmente perdoados, e o recrutamento de novos talentos para a organização será cada vez mais difícil.Uma comunicação aberta, uma doutrina concreta que responda a este aspecto lúgubre da instituição será o único caminho. O mundo fica à espera de uma posição firme e inequívoca da Igreja. Será Bento XVI capaz de organizar uma cimeira, um Concílio, de que emane uma resposta satisfatória para a humanidade? Nomeadamente, um rigoroso código de conduta e as respectivas sanções.Quando o mundo atravessa uma crise tão profunda, em tantas dimensões, a Igreja pode transformar esta crise numa oportunidade.

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publicado às 22:42

Por António Guerreiro, in Actual, Expresso
Fazendo uma arqueologia do espaço público, Habermas mostra que o princípio em que se baseia a verdade do Estado moderno é a ideia do povo soberano, que deve, por sua vez, exprimir-se sob a forma da opinião pública.Se a lógica de um Estado de coisas se torna facilmente apreensível nos seus fenómenos extremos, então devemos pensar que nada ilustra melhor a perversão dessa ideia moderna de opinião pública do que o lixo opinativo dos blogues e das caixas de comentários dos leitores dos jornais online-caricaturas grotescas da hipertrofia da opinião mediática.Este fluxo imparável da opinião é o oposto da liberdade de pensamento e comunicação.É uma conversa que se molda inteiramente pela vontade do reconhecimento e segundo os critérios que são os de uma ortodoxia partilhada  pelo  grupo a que se pertence, simetricamente recusada por outros grupos cuja aspiração é a mesma: triunfar nas guerras da opinião e ocupar um lugar nesta opinião e ocupar um lugar nesta dialéctica sem síntese.Faz lembrar a história contada por Hegel: uma vendedora de ovos a quem um cliente diz "Os seus ovos estão estão podres" responde por seu turno, " Podre está o senhor, e a sua mãe, e a sua avó."

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publicado às 14:36

Maioria dos bloggers considera-se jornalista

por Alda Telles, em 02.04.10
A maioria dos bloggers já se consideram jornalistas. O inquérito "2010 PRWeek/PR Newswire Media Survey", que abrangeu 1568 profissionais dos media "tradicionais" e “não tradicionais” e 1670 profissionais de Relações Públicas nos Estados Unidos, revelou que 52% dos bloggers se equiparam a profissionais de comunicação social. Segundo o estudo, um importante crescimento desde o ano passado, em que apenas um em cada três partilhavam esta opinião.Se bem que, na realidade, ainda só 20 por cento dos bloggers reconheçam que a maior parte do seu rendimento deriva da sua actividade na blogoesfera. Apenas um crescimento de 4% em relação a 2009.Do total dos inquiridos, o uso de blogs e redes sociais para pesquisa tem aumentado; mas há uma grande diferença nessa utilização entre bloggers e jornalistas dos media tradicionais. Enquanto 91% dos bloggers e 68% dos jornalistas online usam blogs "sempre" ou "às vezes" para pesquisa, apenas 35 por cento dos repórteres de jornais e 38% dos jornalistas de revistas off-line admitem recorrer às novas plataformas.A mesma discrepância verifica-se no que toca ao uso de redes sociais para investigação.No geral, 33 por cento dos inquiridos dizem usá-las, enquanto os bloggers revelam um uso superior (48%) aos jornais e (31%) e revistas impressas (27%).Se considerarmos o Twitter, o contraste ainda é maior: 64% dos bloggers e 36% dos jornalistas online usam o twitter como ferramenta de trabalho. Esta percentagem baixa para 19% dos jornalistas de jornais e 17% das revistas.No que respeita ao uso de "tuites" (posts do Twitter) nos artigos, apenas 19 a 20% dos jornalistas dos media tradicionais o fazem.Nos Estados Unidos, já 55% dos bloggers e 42% dos jornalistas de meios online usam posts do Twitter. E, surpreendentemente, 48% das notícias de televisão!Creio que um estudo semelhante ainda não tenha sido feito em Portugal. Embora as percentagens possam variar (a indústria dos blogs e o jornalismo online estará num estádio ainda emergente em Portugal), estou em crer que as tendências registadas no estudo da PR Week  não estarão longe de uma realidade próxima em Portugal e nos mercados europeus em geral.Nota: este post foi inicialmente publicado em Jornalistas de Sofá.

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publicado às 00:38

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