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Sinais preocupantes

por Alda Telles, em 24.05.10
Os novos modelos de negócio que os orgãos de comunicação social desesperadamente procuram para enfrentar a crise apontam para a sua transformação em agências de info-comunicação. As actividades complementares como fonte de receita entram no universo das relações públicas. Será que a garantia de uma "chinese wall" entre informação e comunicação serão suficientes para não acabar de vez com a credibilidade dos media? Dois casos recentes são sinais preocupantes.Na passada semana, a agência noticiosa espanhola EFE anunciou uma nova linha de negócio. Na prática a venda de serviços de agências de comunicação. Segundo o site espanhol PR Noticias e citado pela Briefing, a EFE passa a oferecer às empresas a possibilidade de aparecer nos media através de eventos por elas patrocinados, onde a EFE se encarrega de produzir "peças jornalísticas"em que a imagem dos patrocinadores aparece "as vezes suficientes". Estas "notícias" são depois vendidas às centenas de orgãos de comunicação social que recorrerem às produções da agência noticiosa.A imediata questão deontológica que se levanta foi antecipadamente acautelada pelo presidente da EFE Alex Grijelmo, que assegurou haver uma separação clara entre os serviços de informação e os serviços de comunicação, sem explicar exactamente como.As razões, está bom de ver, são a rentabilização dos meios humanos e materiais de que a agência dispõe e é "um exercício de responsabilidade económica, mas também de visão do futuro face às mudanças que vive o sector da comunicação social", conforme se apressou a concordar o presidente da Dircom, a associação espanhola de directores de comunicação. Que se saiba, ainda não houve reacção da associação das agências de comunicação e relações públicas.No Sábado, o economista Ricardo Reis, analisa na sua coluna no i a crise dos jornais, essencialmente derivada da expansão da web e da impossibilidade de evitar o seu consumo de forma gratuita. Poucos são os leitores dispostos a pagar o verdadeiro valor (custo) da produção jornalística de qualidade.A análise é basicamente correcta e introduz o conceito de bem não-rival como perspectiva. Na analogia com a indústria discográfica (outro sector de bens não-rivais) as soluções propostas por Ricardo Reis são aquelas que, na realidade, temos vindo a assistir em jornais de referência, e em especial nos meios económicos: a promoção de actividades complementares como a organização de conferências e eventos, a produção de programas de televisão e... pois, a consultoria de imagem.Indaguei o professor sobre o conceito que estaria a aplicar ao termo "consultoria de imagem". Apesar de ainda não ter recebido resposta, acredito que não esteja longe do modelo de negócio avistado pela EFE.Sinais preocupantes para ambos os sectores, o do jornalismo e o da consultoria de comunicação. Para lá das questões de ética e deontologia, são competências e marcas de duas profissões próximas mas distintas, que se vão certamente perder depois de tantos anos de luta pelo reconhecimento de cada uma.

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publicado às 20:15

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